• Edgar Welington

Vidas negras importam, vivas.

Foto: site justificando.com



Primeiramente como está escrito na nossa Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5º Caput, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Para tratar deste assunto, o espaço ideal para discutir o racismo, seus desdobramentos e formas de superação deveria ser o ambiente escolar. Existe até Legislação para isso, basta apenas ser cumprida.

A Lei 10.639, que completou 18 anos em janeiro deste ano, entrou em vigor com o objetivo de promover uma importante mudança de perspectiva na educação do país, por meio da obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana. Como professor eu aconselharia livro como “Quarto de Desejo”, que fala sobre Maria de Jesus, uma mulher negra e favelada no seu cotidiano e um filme “Felicidade por um Fio”, que retrata o processo de autodescoberta e transição capilar de Violet Jones, uma publicitária negra muito bem-sucedida e perfeccionista.

No meu entendimento se a discussão sobre o racismo não for feita em casa e nem nas escolas, o que resta são os veículos de comunicação de massa, onde a maioria da população tem acesso, isso explica o papel do Big Brother. Mesmo assim, um problema sério a ser tratado no Brasil, diz respeito à comoção seletiva. Por que foi preciso morrer negro nos Estados Unidos, para que brasileiros fossem dar atenção aos dados do mapa da violência?

Vivemos em tempos adversos de ofensiva de modo de produção capitalista e de legitimação do conservadorismo nos diferentes âmbitos da sociedade, os quais intensificam relações de exploração. Os processos constitutivos de formação sócio histórica do Brasil classista e heteropatriarcal estão presentes em nosso cotidianos sociais, o machismo, a xenofobia, a misoginia, a violência e o racismo estrutural. Por exemplo, a recente morte de George Floyd, no dia 25 de maio de 2020, nos Estados Unidos, e do jovem João Pedro, de 14 anos, no Rio de Janeiro, desencadearam um movimento de repercussão global, até mesmo no Instagram e no Facebook. Conforme refere Almeida (2014.p.149): “O que está em jogo é a dificuldade da supremacia branca e de seus agentes de aceitarem a humanidade negra e sua capacidade de disputa a supremacia branca e o terror racial impingem processos de sujeição contínuos”.

Tudo que eu escrevo é profundamente marcado pela condição de ser índio Fulni-ô, ou seja, escrever sobre si, talvez seja tarefa mais delicada a fazer em tempos como estes. Tempos em que nos colocamos diante de algo inimaginável: uma pandemia.

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