• Isabel Rodrigues

Vidas Negras Importam: ontem, hoje e sempre.


Foto: LEO MALAFAIA / AFP


Vidas Negras Importam não se trata apenas de um grito de pessoas pretas em prol de suas vidas. A frase carrega em si uma historicidade que vem desde os tempos da captura em África e da escravização do povo negro nas Américas. Foram mais 12 milhões de africanos traficados, e destes estima-se que 4,8 milhões foram comercializados para o Brasil durante a vigência do tráfico atlântico.

A escravização foi uma violência que perdurou durante séculos, mesmo que aparentemente tenha sido extinta com as formulações de leis que dizem “libertar” ou garantir alguns direitos humanos, o que vemos é a violação da nossa condição humana. Portanto, é necessário que nossas vidas sejam respeitadas nas dimensões do nosso cotidiano, da política e da cultura. Pois, nós pretas e pretos independente de classe e gênero somos atravessados pelo racismo. E o racismo mata.

Muitos foram os casos que evidenciam o poder letal do racismo: ao sair para comprar pão para alimentar a família Cláudia foi assassinada; ao brincar dentro de casa João Pedro foi assassinado; Mirtes ao sair para trabalhar com seu filho Miguel, em plena pandemia do Coronavírus, não o trouxe vivo para casa; e o recente caso de João Alberto que um dia antes do Dia da Consciência Negra foi asfixiado e morto por seguranças de uma rede de supermercados nos mostram que tudo isso aconteceu por causa da estrutura racista que forma a sociedade brasileira. E assim vivenciamos no dia a dia o genocídio do povo negro.

A sociedade brasileira manteve uma estrutura de dominação colonial que fomentou a ideia de uma sociedade onde índios e negros não eram e não são reconhecidos como iguais, tendo como uma de suas consequências a pouca participação de indígenas e negros nos espaços de poder. Apesar de compormos a maioria da população brasileira, de acordo com a PNAD 2019 somando pretos e pardos totalizamos 56,20%, há um abismo quando pensamos em representação social e política. Para comprovar isso basta observarmos a presença predominante da população branca nas instituições de poder, sejam elas jurídicas, governamentais ou educacionais. Esse fato deixa explícito o racismo estrutural.

É comum a associação da imagem da população negra às questões culturais, a exemplo do carnaval. Ao refletir sobre a cultura em seu sentindo amplo, constata-se que o negro e o indígena fundamentaram e formaram a base da cultura brasileira. A nossa capacidade de lutar é uma herança da nossa ancestralidade e quando dizemos que Vidas Negras Importam, estamos lutando pela nossa existência.

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