• Tiago dos Santos Silva

Negras na Política brasileira

Foto: Ondas da Resistência


Desde os primórdios da colonização brasileira por meio dos portugueses que se apossaram das terras em que viviam os índios no litoral brasileiro. Pudemos perceber que o processo de escravização se deu a partir de uma ideia de manutenção de riquezas, sendo a cana de açúcar uma das principais economias do Brasil colônia no século XVI.

Os negros introduzidos nas Américas vieram forçosamente de várias regiões da África trazidos pelos comerciantes de pessoas escravizadas, e eram forçados a trabalhar principalmente nos engenhos de açúcar, lavouras, reparos de igrejas etc. Esse meio favoreceu vários produtores que ganhavam lucros com o esse tipo de comércio.

Nesse caso, através dessa breve contextualização, podemos inferir que a política econômica do Brasil, tem estrutura escravocrata, portanto, discriminatória e racista. Mesmo assim, por meio de muitas lutas e resistência podemos identificar alguns poucos negros na política e pouquíssimas negras nesse espaço de poder.

Na política brasileira podemos mencionar alguns afrodescendentes que enfrentaram o preconceito e conquistaram seu espaço como o caso da Antonieta de Barros (1901-1952) filha de ex-escravizada, primeira mulher negra a assumir um cargo dentro da política no Brasil por mandato popular.

Antonieta de Barros foi pioneira na emancipação do movimento feminino e lutou pelo reconhecimento da cultura negra. Além dela podemos perceber que outras mulheres desempenharam grande papel na política brasileira como Benedita da Silva ex- governadora pelo o estado Rio de Janeiro, e atualmente é deputada federal.

Outra que se destacou foi a vereadora Marielle Franco assassinada no Rio de Janeiro em 2018 juntamente com seu motorista Anderson Gomes. Foram covardemente massacrados à tiro, e o crime segue sem resposta concreta pra a sociedade. Marielle tinha na sua agenda o compromisso com os segmentos das mulheres negras que enfrentam diariamente centenas de desafios impostos pela sociedade racista, machista e misógina nesse Brasil.

Contudo não podemos desistir de lutar cada vez mais pelo espaço das mulheres negras dentro da vida pública, buscar compreender seus desafios, anseios e ajudar à resistir sempre que o preconceito e o machismo inviabilizar conquistas.

É necessário buscar junto aos movimentos femininos e sociais, e espaços que defendem a mulher negra, a se engajar na política concretizando defender os ideais das mulheres negras.

Precisamos colocar em prática a lei 10.639/03 da LDB tão importante para ser debatida dentro das escolas brasileiras, começar a introduzir na educação básica a importância das relações étnico-raciais, incentivando meninas a serem críticas a partir do seu lugar de fala.

A Lei não é apenas para ser lembrada, é necessário fazer o uso da mesma, incentivando na busca da igualdade de gênero e promoção racial. Principalmente se tratando das escolas onde podemos usar esses espaços para conscientizar as pessoas que apesar de não sermos iguais devemos ser tratadas com equidade. Mulheres negras, crianças, homossexuais, pretos, pobres, trans, todas essas vidas importam.

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