• Jevison Cruz

MEDICINA NO BRASIL: UMA PROFISSÃO MAJORITARIAMENTE BRANCA

Ilustração: freepik

Diante do atual contexto em que o mundo esta vivendo com a pandemia causada pela SARS-CoV-2 (Síndrome respiratória aguda grave de coronavírus 2), diariamente profissionais de saúde aparecem nos meios de comunicação informando a população sobre a atuação da covid 19 e as possíveis medidas preventivas a serem tomadas. Nesta dinâmica lembrei-me que há duas décadas e meia, em uma das inúmeras vezes que tive a necessidade de usar o serviço de urgência do SUS, fui atendido por um médico de cor preta, e por incrível que pareça, até a atualidade não tive mais contato com profissionais médicos dessa cor. E você, caro leitor, já foi atendido por um médico negro?


A partir de tal constatação repara-se a pertinência de uma reflexão sobre o fato! Então, quais seriam as causas que contribuem para que em nosso pais as turmas de medicina sejam formadas por indivíduos majoritariamente brancos? A Priori, duas hipóteses podem ser avaliadas: a herança escravagista e a falta de oportunidades aos mais pobres, representados por negros e pardos. (CACCIAMALI ; HIRATA, 2005). A primeira comunica o preconceito racial encontrado no país, que julga a capacidade intelectual e profissional dos indivíduos pela cor de pele que eles trazem.


Quanto a isso, a senhora Isabel dos Santos, mulher negra e médica formada em 1974 pela (UCPel) declara que no exercício da profissão: "ouvia coisas como da pra chamar o médico? [...] Se estou com o avental me perguntam 'A senhora é a enfermeira?' Por conseguinte, ratifica que mesmo aos 73 anos, tais constrangimentos ainda lhes são atribuídos." (GAÚCHA ZH, 2019). A segunda hipótese esta ligada a carência na manutenção financeira dos estudantes, que ao estarem inseridos num curso historicamente branco e elitista, necessitam de uma bolsa permanência para conseguirem avançar na conclusão do curso, do contrário, torna-se quase uma missão impossível (QUERO BOLSA, 2019).


Porém, nem tudo é lamento! Nossa cor é símbolo de coragem e de respeito sim senhor! Lembremo-nos dos doze médicos negros e negras que se graduaram pela (UFRB) em agosto de 2019, mostrando para a sociedade brasileira que "cor de pele" não atesta a habilidade de ninguém, o que se precisa é igual oportunidade de acesso aos locais tido como de privilégios (O POVO, 2019). Assim, mesmo a covid-19 expondo as desigualdades sócio históricas do povo brasileiro, acreditamos que como diz Martinho da Vila, "Devagarinho é que a gente chega lá" e mostraremos quem de fato é majoritário nesse país bonito por natureza.

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